O Design Gráfico de ELCIO KUDO: À Risca.

Designer. Termo criado nos Estados Unidos no boom da industrialização, designa o profissional que, diferentemente do artesão, otimiza o produto para uma fabricação em escala industrial, ao mesmo tempo em que o torna mais atraente ao consumidor. Por falta de uma nomenclatura melhor, ELCIO KUDO é um designer visual e gráfico. No entanto, devido à sua formação e às suas referências culturais nipônicas, KUDO pratica um conceito de design proveniente de outras paragens.

Da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) herda a ética do projetista que não abre mão da forma, concepção por sua vez defendida na européia BAUHAUS, em pleno entre-guerras. Esta escola instaurou a fé na forma, a partir do que ela tem de intrínseco, apostando que modificando o mundo na aparência, sua essência também se modificaria. Resulta daí uma postura muito mais global que a do styling da produção industrial: da tabela de cores à tecelagem, das inovações dos materiais na construção civil ao projeto do bule de café, toda a relação da humanidade com seus objetos necessitava ser modificada. Esta formação faz de KUDO mais que um projetista.

Do Japão traz reminiscências visuais que carrega desde a infância, das visitas in loco ao contato com uma língua que se escreve por ideogramas. A cultura oriental possui uma afinidade com a imagem diferente da cultura ocidental: como os nossos ancestrais, os japoneses atribuem um sentido a imagem que é independente da palavra e da própria fala. Para eles a imagem é forte, traduz presença e síntese de um pensamento, sem precisar ser referencializada pela escrita. Mais uma vez, daí provém sua outra singularidade.

Os projetos de comunicação de KUDO muitas vezes parecem subjugar informações como o nome da marca, em detrimento da valorização de uma imagem que tem o poder de, sozinha e instantaneamente, concretizar a comunicação dos valores de uma determinada empresa – ainda que o espectador não consiga verbalizá-lo de imediato. Procedimento autoral e de risco, porque foge das convenções do design, ao mesmo tempo que é certeiro e eficaz: seus projetos arrebatam no primeiro olhar por serem belos, por trazerem forma, cor e grafismo na justa medida. Em seguida, vem a cognição, a leitura de certos índices informativos que confirmam a idéia geral, já transmitida pela forma.

Não negando suas origens, KUDO insiste ainda no desenvolvimento do logotipo ou marca das empresas para quem trabalha: aquele mínimo de sentido imagético que recupera a essência do valor comercializado. O orientalismo está presente também na própria configuração visual dos objetos que projeta: nas cores puras, no grafismo preto (por vezes abusivos), na organização espacial estruturada por muito fundo branco.

Por fim, os trabalhos de KUDO esmeram-se por não serem ideologicamente corrompidos, sendo capazes de manter a identidade do designer, a justeza da forma, e a dignidade da marca todos no mesmo patamar. Tributos da BAUHAUS, mudam o mundo.

(Texto de Gisela Porto Benatti. Elcio Kudo em: À risca)

UNIVERSIDADE EKDB